O Ministério Público do Distrito de Keelung, em Taiwan, realizou uma operação na segunda-feira que incluiu o escritório da Supermicro Computer em Taiwan, as residências de seis indivíduos e três locais de empresas afiliadas. Esta ação marca uma expansão significativa na primeira investigação criminal da ilha sobre o desvio de chips de IA da Nvidia para a China.
A investigação vai além da Supermicro, com buscas também realizadas na Albatron Technology (distribuidora da Supermicro) e na Chief Telecom (operadora de data center).
A legislação taiwanesa atual não tipifica a exportação não autorizada de chips de IA para a China como crime. Os promotores estão utilizando interpretações de estatutos existentes para formular suas acusações.
Taipei está avaliando uma nova legislação para restringir a venda de chips de IA a todos os clientes na China, não apenas empresas da lista negra como Huawei e SMIC. Se aprovada, esta mudança permitiria que os promotores acusassem o contrabando como crime de exportação.
Os EUA estão processando o mesmo esquema sob a lei de controle de exportação. Uma acusação federal incrimina o co-fundador da Supermicro, Yih-Shyan “Wally” Liaw, por conspirar para desviar cerca de US$ 2,5 bilhões em servidores equipados com Nvidia para a China, usando uma empresa de fachada no Sudeste Asiático.
É irônico que Taiwan, o principal fabricante de chips de IA avançados, possua os mecanismos legais mais fracos para impedir seu desvio. Embora as GPUs centrais dos casos sejam fabricadas pela TSMC em Taiwan e montadas em servidores Supermicro, apenas os EUA têm leis específicas contra o contrabando.
As operações de segunda-feira marcam a primeira vez que a cadeia de distribuição é diretamente atingida, já que os esforços anteriores se concentravam em executivos acusados de orquestrar o esquema. A Supermicro havia alertado sobre os riscos quando seus produtos passam por várias partes fora de seu controle direto. Albatron e Chief Telecom ainda não foram acusadas.