O Cronômetro Secreto da Microsoft nos Anos 80
Veterano do Windows revela como a obsessão por velocidade moldou o desenvolvimento de software, cronometrando “tudo” para garantir performance.
A Era do Cronômetro: Obsessão por Performance (1980-1990)
- Steven Sinofsky, ex-presidente da Divisão Windows da Microsoft, compartilha memórias da era dourada do desenvolvimento de software da empresa nos anos 80, uma época de código enxuto e eficiente.
- Cronômetros para Todos: De 1980 a 1990, “todo engenheiro da Microsoft recebia um cronômetro”, com “extras no almoxarifado”, segundo Sinofsky.
- Tudo Era Cronometrado: A velocidade de rolagem, inicialização, saída, salvamento, compilação e impressão – cada detalhe era medido para garantir máxima eficiência e performance aceitável.
- Meio Século de Otimização: Sinofsky afirma que, de 1980 a 2000, metade do trabalho de engenharia de software era dedicada à gestão de recursos (tempo de clock, disco e RAM).
Os Produtos da Era da Eficiência
- Grandes Nomes: Produtos icônicos como MS-DOS, Windows (versões 1 a 3), Word, Excel e o pacote Office, além de linguagens e ferramentas de programação, nasceram sob esse regime rigoroso.
- Foco Contínuo: A ética de eficiência baseada em recursos persistiu até, pelo menos, o ano 2000.
Percepção Versus Realidade: A Ilusão da Velocidade
- A Contradição do VC++ 1.0: Apesar do cronômetro indicar o contrário, o feedback dos usuários sobre a velocidade de compilação do VC++ 1.0 no Windows era que estava mais lento que as versões anteriores.
- Enganação Visual: A solução foi implementar um “contador de linhas giratório e chamativo” que, embora diminuísse a velocidade de compilação em alguns pontos percentuais, melhorava a percepção do usuário.
- A Relutância do Engenheiro: Sinofsky manteve a ‘distração visual’, mesmo não gostando de retrabalhar apenas pela percepção e de fato diminuir o desempenho bruto.
O Legado e a Crítica Atual
- Negativa em 1993: Outro veterano da Microsoft, Dave W. Plummer, relembrou ter sido negado um cronômetro gratuito em 1993, fora da “janela de brindes” de Sinofsky, com a justificativa de ser “muito caro”.
- Críticas Atuais: Atualmente, o Windows enfrenta fortes críticas por sua perda de foco, desempenho ruim, alto consumo de recursos e excesso de integração de IA.
- Promessas de Melhoria: A Microsoft prometeu abordar essas questões, focando em desempenho, sobrecarga e confiabilidade em serviços essenciais como o Explorer e Windows Update, além de integrar o Copilot de forma mais proposital.
Será que os cronômetros retornarão às mesas dos engenheiros da Microsoft? Só o tempo dirá se as promessas de eficiência se concretizarão.
Baseado no artigo de Tom’s Hardware