Gigantes da tecnologia dos EUA, com grandes investimentos em IA, teriam cerca de US$ 1,65 trilhão em dívidas “ocultas”. Esses valores, detalhados em balanços trimestrais, não aparecem nas demonstrações financeiras principais. Segundo a Nikkei Asia, essa quantia é 122% maior que os US$ 1,35 trilhão listados oficialmente, pegando investidores de surpresa.
Embora pareça incomum, é uma prática contábil aceita. As “dívidas ocultas” derivam de contratos de longo prazo já assinados, mas ainda não efetivos. A Nikkei aponta que a maior parte está ligada a bilhões prometidos a operadores de data centers, impulsionados pela corrida da IA.
Apesar da obrigação de listar promessas de pagamento como passivo, a inoperância dos data centers mantém esses acordos “fora dos livros” por enquanto. Contudo, quando os projetos entrarem em operação, os contratos se efetivarão, e as empresas terão que arcar com os custos, independentemente da demanda.
Garantir capacidade futura com contratos de clientes e data centers parece inteligente, mas gera um risco enorme. Se a demanda não se concretizar, as empresas pagarão por capacidade ociosa. A Nikkei alerta que esses gastos de investimento estão superando os lucros, levando as big techs a depender cada vez mais de títulos corporativos e novas ações para financiamento.
A publicação lembra o colapso da Enron em 2001, que ocultou ativos problemáticos. Embora as big techs não estejam cometendo fraude, elas usam mecanismos semelhantes para listar obrigações futuras. Embora tecnicamente não sejam dívidas, comportam-se como tal, e a forma de reportá-las preocupa especialistas.