Três funcionários da Super Micro foram acusados de conspirar para desviar ilegalmente tecnologia de ponta de inteligência artificial dos EUA para a China. A acusação, divulgada na quinta-feira, aponta que Yih-Shyan “Wally” Liaw, Ruei-Tsang “Steven” Chang e Ting-Wei “Willy” Sun estavam envolvidos em um esquema de contrabando que utilizava uma empresa intermediária do Sudeste Asiático para falsificar documentos e reembalar servidores equipados com chips Nvidia de última geração. Estima-se que a operação ilícita tenha gerado cerca de US$ 2,5 bilhões em vendas desde 2024.
Os Envolvidos e o Esquema
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Figuras Chave: Embora a Super Micro não seja nomeada na acusação, Liaw é cofundador da empresa de servidores, com quase meio bilhão de dólares em ações. Chang é gerente de vendas da Super Micro em Taiwan. Sun é um intermediário que já trabalhou com os outros dois. Liaw (71, cidadão americano) e Sun (44, Taiwan) foram presos, mas Chang (53, Taiwan) é atualmente um fugitivo.
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Modus Operandi: Bilhões de dólares em servidores equipados com Nvidia, que não deveriam estar disponíveis para clientes chineses, foram desviados para o país usando uma empresa de fachada. Esta empresa fabricava documentos e montava milhares de “servidores fictícios” para enganar os inspetores. Era uma operação complexa e coordenada de engano.
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Engenhosidade Surpreendente: Apesar da sofisticação da documentação e logística, a operação revelou detalhes bizarros. Os acusados mantinham um grande estoque de milhares de servidores “fictícios” (cascas vazias) no Sudeste Asiático, supostamente aguardando implantação para clientes locais (não baseados na China).
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O “Truque do Secador de Cabelo”: Imagens de câmeras de segurança mostraram trabalhadores usando secadores de cabelo para transferir adesivos de números de série de servidores genuínos para as carcaças dos servidores fictícios. Os servidores reais, com GPUs, eram então enviados para a China.
Reações e Consequências
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Posicionamento da Super Micro: A empresa reconheceu que o trio acusado está “associado” a ela, mas ressaltou que não é nomeada como ré na acusação. Declarou ter “colocado os dois funcionários em licença administrativa e rescindido seu relacionamento com o contratado, com efeito imediato”. A Super Micro afirmou que a ação foi uma “contravenção das políticas da empresa” e que possui um “programa de conformidade robusto” e “está comprometida com a adesão total a todas as leis e regulamentos de controle de exportação e reexportação dos EUA aplicáveis”.
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Declaração da Nvidia: A Nvidia enviou uma declaração semelhante, enfatizando que “a conformidade rigorosa é uma prioridade máxima”. A empresa de chips gráficos e IA declarou que “o desvio ilegal de computadores dos EUA controlados para a China é uma proposta perdedora em todos os sentidos” e que “a Nvidia não oferece nenhum serviço ou suporte para esses sistemas, e os mecanismos de fiscalização são rigorosos e eficazes”.
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Futuro Legal: Liaw, Chang e Sun enfrentam sérias acusações federais. É possível que essas pessoas, ao tentar enriquecer, acabem cumprindo décadas de prisão (até 30 anos), e/ou multas, confisco de bens e também proibição de emprego em setores controlados por exportação.
Este caso destaca os desafios contínuos na aplicação das regulamentações de controle de exportação dos EUA, especialmente em um cenário de tecnologia em constante evolução. Devido às políticas de controle de exportação dos EUA em constante mudança, alguns dos servidores Super Micro contrabandeados podem ser aprovados como exportáveis após seguir uma estrutura para obter uma licença.