Pesquisadores da Universidade da Califórnia San Diego (UCSD), em colaboração com o Google, estão reciclando smartphones Pixel antigos, dando-lhes uma segunda chance como data centers de baixo custo. Esta iniciativa visa combater o crescente problema do lixo eletrônico, transformando o “carbono incorporado” de dispositivos descartados em uma solução de computação.
Um estudo revelou que smartphones de apenas três anos atrás oferecem um desempenho single-core superior a servidores potentes como o Asus RS720A-E11, encontrados nos mais avançados data centers. Embora os servidores ofereçam uma capacidade total inatingível por celulares, a pontuação individual por núcleo dos smartphones no benchmark SPEC abriu portas para usos criativos.
Um cluster de 20 telefones pode suportar um aplicativo para uma turma de mais de 75 alunos, oferecendo uma alternativa local e mais barata à nuvem. A equipe planeja construir um data center com 2.000 telefones para atender a centenas de turmas simultaneamente, a uma “fração do custo usual” de hardware novo.
Apesar de não ser uma solução para grandes centros de dados de IA, que exigem hardware especializado e alta confiabilidade, esta abordagem é ideal para universidades, instituições educacionais e pequenas entidades. O projeto, que será lançado este ano, testa a durabilidade de peças de consumo em um ambiente de data center, abrindo caminho para soluções mais acessíveis e ambientalmente conscientes.
A ideia de reutilizar telefones não é nova. Pesquisas anteriores transformaram celulares em “pequenos data centers” ou para monitoramento subaquático. A NASA, por exemplo, usou um chip Qualcomm 801 de 2014 no helicóptero Ingenuity em Marte. Além disso, a extração de ouro e outros recursos de placas de celulares quebrados já é uma prática de reciclagem.