Um criador conhecido como Makestreme conseguiu a proeza de imprimir uma música completa de dois minutos em uma única folha de papel. O projeto, com todos os detalhes e código-fonte, foi publicado no Hackster.io.
Um único QR code pode armazenar cerca de 3KB de dados binários. Para uma música de 2.9MB, seriam necessários quase mil códigos com compressão convencional. O EnCodec da Meta resolveu esse problema ao transformar a forma de onda em tokens discretos, que um decodificador correspondente converte de volta em áudio. Na configuração de 3 kbps, a música reconstruída manteve uma boa qualidade.
Cada um dos oito códigos QR contém um ID de 1 byte mais um pedaço do fluxo de tokens, com quatro códigos por lado, em uma homenagem aos discos de vinil. Para maximizar a densidade, o script gerador usa o menor nível de correção de erro. Isso significa que não há redundância: danificar um único código compromete toda a música.
O mesmo arquivo de 21KB também foi transmitido entre duas placas ESP32 via rádio LoRa. Notavelmente, essa transferência sem fio leva cerca de 90 minutos por música devido a um protocolo ACK-e-reintentar com uma pausa conservadora de 40 segundos após cada pacote reconhecido, garantindo a conformidade com o ciclo de trabalho.
A ideia de software em papel remonta ao Cauzin Softstrip de 1985. Contudo, o “Paper Tunes” herda uma dependência similar: os códigos QR armazenam tokens, não áudio. Isso significa que a reprodução da música exige o decodificador exato de 24 kHz do EnCodec. Embora o papel possa durar séculos, a música só sobreviverá enquanto a rede neural que pode decodificá-la permanecer acessível.