O Irã está vivenciando o segundo maior apagão de internet já registrado, ultrapassando 1.000 horas offline, de acordo com o monitor de conectividade NetBlocks. Esta interrupção, intensificada em 28 de fevereiro após ataques militares conjuntos dos EUA e Israel, está causando impactos humanos e econômicos severos.
Bloqueio do Starlink e Penas Draconianas
- A posse de terminais Starlink no Irã é punível com a pena de morte sob a legislação atual.
- Pesquisadores indicam que o Starlink está sendo bloqueado por “interferência de nível militar”.
- O Irã também ameaçou infraestruturas de grandes empresas de tecnologia, como OpenAI, Nvidia, Apple, Microsoft e Google.
Impacto e Duração Sem Precedentes
- Em 11 de abril, NetBlocks confirmou que o tráfego de internet permanecia em cerca de 1% dos volumes pré-apagão.
- O apagão já dura mais de 43 dias, superando incidentes comparáveis catalogados pela NetBlocks.
- Cloudflare Radar registrou uma queda de 98% no tráfego HTTP em 28 de fevereiro, afetando grandes cidades como Teerã e Isfahan.
Acesso Restrito e Rede Nacional
Pequenos volumes de tráfego web e DNS continuam a fluir através de um sistema de “whitelisting”, que permite que um conjunto limitado de usuários aprovados e serviços domésticos permaneçam online. A mídia estatal iraniana afirma que o acesso é roteado pela Rede Nacional de Informações, uma intranet doméstica, com acesso restrito a sites pré-aprovados.
Prejuízos Econômicos e Violação de Direitos
- Um blecaute anterior em janeiro já havia reduzido os níveis de tráfego da internet em cerca de 50%.
- O Ministro das Comunicações do Irã, Sattar Hashemi, estimou que o apagão de janeiro custou à economia cerca de US$ 35,7 milhões por dia, com queda de até 80% nas vendas online.
- Organizações como Human Rights Watch e Anistia Internacional denunciam o apagão como uma violação de direitos fundamentais e um obstáculo ao acesso a informações de emergência durante os ataques militares.